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CITROËN LANÇA UMA NOVA OFENSIVA NO CAMPEONATO DO MUNDO FIA DE RALIS COM O C3 WRC

{ A um mês do Rali de Monte-Carlo, jornada de abertura do Campeonato do Mundo FIA de Ralis 2017, a Citroën Racing apresenta oficialmente o C3 WRC em Abu Dhabi.

{ De acordo com a nova regulamentação da FIA, que dá início a uma nova geração de World Rally Cars muito espetaculares, o C3 WRC simboliza o regresso oficial da Citroën a uma competição em que detém 96 vitórias e 8 títulos mundiais.

{ Para a temporada de 2017, a equipa Citroën Total Abu Dhabi WRT irá inscrever 2 a 4 C3 WRC para as equipas Kris Meeke/Paul Nagle, Craig Breen/Scott Martin, Stéphane Lefebvre/Gabin Moreau e o Xeque Khalid Al Qassimi/Chris Patterson.

UM NOVO CAPÍTULO NA HISTÓRIA DA CITROËN RACING

Desde a sua criação, em 1919, a Citroën sempre transmitiu a sua capacidade de enfrentar desafios repletos de aventura e de competição. Foi na década de 1950 que os modelos da Marca alcançaram as primeiras grandes vitórias nos ralis, mas ter-se-ía de esperar pelo início dos anos 80 para realmente se definir o início da era contemporânea. Mesmo sem grandes sucessos, foram o Visa 1000 Pistes e o BX 4TC – ambos de acordo com as regras do Grupo B – os modelos que começaram a definir esse novo ADN de competição da Citroën.

Os reis do deserto

Em 1989 o departamento de competição assume a denominação Citroën Sport e embarca num primeiro grande desafio: vencer o Paris-Dakar. Fê-lo logo na sua primeira tentativa, com Ari Vatanen a impor-se à chegada da edição de 1991, a que se seguiram 3 novas vitórias, alcançadas por Pierre Lartigue, em 1994, 1995 e 1996. Reis do deserto, os ZX Grand Raid conquistaram 36 vitórias em 42 provas, a que juntaram 5 Taças do Mundo FIA de Rallye-Raid.

Nas estradas do WRC

Entretanto desenhavam-se já os contornos de um programa no WRC. Ao volante de um Xsara Kit-Car, Philippe Bugalski ganhou em 1999 o Rali da Catalunha e a Volta à Córsega, frente aos primeiros World Rally Cars! A Armada Vermelha decidiu subir um degrau, vindo a impor o novo Xsara WRC na Volta à Córsega de 2001, com Jesus Puras ao volante.

Após nova temporada de preparação, a Citroën abraça a sua primeira campanha completa em 2003. Esse compromisso inicia-se com uma tripla – Loeb, McRae e Sainz – à chegada do Rali de Monte-Carlo. O primeiro título de Campeão do Mundo de Construtores é alcançado no final da época e mantido nas duas seguintes. Ao mesmo tempo, Sébastien Loeb e Daniel Elena começam, em 2004, a sua incrível série de 9 títulos consecutivos de Campeões do Mundo de Ralis.

No final da temporada de 2005, a Citroën decide fazer um intervalo de um ano, tempo necessário para desenvolver o C4 WRC. Esta nova criação permite à Marca aumentar o seu palmarés com 3 títulos adicionais, entre 2008 e 2010. Em 2011 surge toda uma nova geração de carros. O DS 3 é escolhido para continuar a linhagem e fá-lo com brio, conquistando 2 títulos de Construtores em 2011 e 2012.

Em redor dos circuitos mundiais

Mantendo uma presença no WRC, embora com menores ambições, a Citroën Racing embarca num novo desafio no âmbito do Campeonato do Mundo FIA WTCC. Também aqui o sucesso surge de imediato. Em três anos, o Citroën C-Elysée WTCC conquistou 50 vitórias em 69 corridas, enquanto a Citroën e José María López juntaram ao seu palmarés 3 títulos mundiais consecutivos.

Após este interlúdio nos circuitos, a Citroën decidiu regressar ao WRC com o Novo C3, símbolo da ofensiva comercial da Marca. Está prestes a iniciar-se um novo capítulo desta grande saga...

OS NÚMEROS DA CITROËN RACING

Rallye-Raid (1990-1997)

{ 36 vitórias em 42 provas, entre elas 4 no Dakar
{ 25 vitórias para Pierre Lartigue, 10 para Ari Vatanen e 1 para Timo Salonen
{ 5 títulos ‘Construtores’ na Taça do Mundo FIA de Rallye-Raid (1993 a 1997)
{ 5 títulos ‘Pilotos’: Pierre Lartigue de 1993 à 1996 e Ari Vatanen em 1997

WRC (1999-2016)

{ 96 vitórias, entre as quais 11 na Alemanha, 10 na Argentina, 9 em Espanha e 7 em Monte-Carlo
{ 238 pódios
{ 1484 vitórias em especiais
{ 78 vitórias para Sébastien Loeb, 7 para Sébastien Ogier, 3 para Kris Meeke, 2 para Carlos Sainz e Philippe Bugalski, 1 para Dani Sordo, Mikko Hirvonen, François Duval e Jesus Puras.
{ 36 vitórias para o C4 WRC, 32 para o Xsara WRC, 26 para o DS 3 WRC, 2 para o Xsara Kit-Car
{ Recordes: vitórias para um Construtor (96) e pódios consecutivos (38 do México 2008 à Grã-Bretanha 2010)
{ 8 títulos ‘Construtores’ no Campeonato do Mundo FIA de Ralis (2003 a 2005 e 2008 a 2012)
{ 9 títulos ‘Pilotos’ e ‘Navegadores’ para Sébastien Loeb e Daniel Elena (2004 a 2012)

WTCC (2014-2016)

{ 31 pole-positions em 35 qualificações
{ 50 vitórias, 45 melhores voltas e 119 pódios em 69 corridas
{ 28 vitórias para José María López, 11 para Yvan Muller, 6 para Sébastien Loeb, 2 para Ma Qing Hua, 1 para Mehdi Bennani e Tom Chilton
{ 3 títulos ‘Construtores’ no Campeonato do Mundo FIA WTCC (2014 a 2016)
{ 3 títulos ’Pilotos’ no Campeonato do Mundo FIA WTCC para José María López (2014 a 2016)

YVES MATTON: «VITÓRIAS EM 2017 PARA VISAR OS TÍTULOS DE 2018»

Como foi estruturado o processo do regresso da Citroën ao WRC?

«Esta decisão surge como resultado de vários parâmetros. Atingimos o final de um ciclo de três anos no WTCC, no momento em que a Marca estava prestes a lançar um produto estratégico: o Novo C3. Ao mesmo tempo, a FIA definiu toda uma nova regulamentação para o WRC. Dado que o C3 corresponde perfeitamente a esta definição, os planetas alinharam-se, para uma combinação que permitirá à Citroën explorar em pleno o seu compromisso para com o automobilismo.»

 Quais são os desafios impostos pela nova regulamentação?

«Em primeiro lugar, acreditamos que esta é uma grande evolução face à anterior regulamentação. Mas é bem mais do que isso: o aumento da potência do motor, o crescente impacto da aerodinâmica e o regresso ao diferencial central pilotado são três grandes alterações. Temos uma experiência única sobre estes três pontos, fruto dos nossos anteriores World Rally Cars e da nossa atividade ao nível dos circuitos. Isso permitiu-nos avançar mais depressa e chegar especialmente mais longe na nossa abordagem.»

Como resume o trabalho alcançado desde o início do projeto?

«É algo incrível. O timing foi tal que o nosso plano de desenvolvimento mostrou-se mais compacto do que o de qualquer dos nossos programas anteriores. Mesmo com a nossa experiência, houve que não perder tempo no projeto e desenvolvimento do carro. O savoir-faire da equipa ajudou-nos a acumular quilómetros sem grandes problemas, pelo que sem estes conhecimentos, teríamos sido incapazes de cumprir esses prazos.»

Há no Citroën C3 WRC traços de um Grupo B?

«O C3 WRC evoca, de fato, esses carros que fizeram sonhar toda uma geração a que eu pertenço. Trinta anos depois e felizmente, tudo evoluiu, nomeadamente no plano da segurança. Mas esta imagem de furor e de agressividade que os pilotos terão de domar é um elemento que encontraremos na próxima temporada. Quando vi o Kris Meeke nos testes e ao volante pela primeira vez pensei que tínhamos alcançado a nossa meta. Há um lado extremamente espetacular nesta nova geração WRC.»

Podem estes carros dar todo um novo elan ao WRC?

«Os anteriores WRC têm sido muitas vezes criticados pela sua falta de agressividade, de impacto em determinados momentos, etc. O lado espetacular dos ralis manteve-se com as paisagens atravessadas, mas provavelmente faltava um lado mais 'furioso' que iremos encontrar agora. Espero que este vá ao encontro de um público mais jovem e que o efeito seja positivo para o campeonato como um todo.»

Qual foi o papel do Kris Meeke no desenvolvimento do Citroën C3 WRC?

«Numa palavra: preponderante. Precisávamos de um líder, que tivesse uma grande bagagem técnica em termos de desenvolvimento. Há mais de 10 anos que o Kris desenvolve viaturas de competição para o Grupo PSA. Como engenheiro de formação, tal permite-lhe refinar a sua análise em determinadas situações. Se alcançámos o que programámos e em termos dos nossos objetivos, é também graças ao seu savoir-faire.»

Porquê a escolha do Craig Breen e do Stéphane Lefebvre?

«Para alcançar o nosso primeiro objetivo, que é vencer ralis de um modo regular em 2017, já tínhamos o Kris sob contrato. Ao longo da última temporada ele mostrou ser capaz de lutar pelas vitórias em todos os terrenos. A seguir colocavam-se dois cenários: por um lado recorrer a um piloto experiente, rápido e com provas dadas, num potencial concorrente do próprio Kris para o papel de líder, por outro seguir a visão da Marca, nessa abordagem diferente e que aposta na juventude. Ao mesmo tempo, é uma opção na continuidade que a Citroën Racing faz há mais de 20 anos! Os resultados do Craig e do Stéphane têm demonstrado que temos no nosso viveiro dois talentosos e promissores pilotos, pelo que decidimos dar-lhes esta oportunidade. A médio prazo, eles irão ser o futuro do WRC.»

Como se estruturam as vossas ambições ao longo das próximas temporadas?

«Em 2017 queremos ganhar provas de um modo regular, frente aos nossos concorrentes. Em seguida, em 2018, pretendemos trazer para casa pelo menos um título mundial.»

A herança Citroën constitui algum tipo de pressão adicional?

«Quando leio alguns comentários, vejo que muitos aguardam que o C3 WRC seja competitivo logo desde a primeira prova. É certo que a pressão estará assente nos nossos ombros, sendo que a equipa possivelmente não está tão rodada quanto isso, pelo que precisa de um tempo de adaptação. Como sempre o fizemos, também aqui iremos abordar este desafio com muita humildade.»

CITROËN C3 WRC: CONCENTRADO DO SAVOIR-FAIRE E DE EXPERIÊNCIA
DE UMA EQUIPA 16 VEZES CAMPEÃ DO MUNDO

Depois da sua aparição em 1997, os World Rally Cars foram evoluindo progressivamente nas suas definições, tanto no controlo das suas performances como no domínio dos custos. A alteração mais profunda foi introduzida para a temporada de 2011, com a introdução de modelos mais compactos com motores 1.6 turbo de injeção direta. A época de 2017 fica marcada pela entrada em cena de uma nova geração de carros, concebidos para serem os mais eficazes e mais espetaculares jamais vistos nas provas do Campeonato do Mundo! 

Em todos os domínios, o Citroën C3 WRC excede os limites do que se fez até à data. Assim, a relação peso/potênca da última criação dos engenheiros da Citroën Racing é de 3,1 kg/cv, contra os 3,8 kg/cv do seu antecessor, num ganho de eficácia que não é meramente um questão de números, pois as vias alargadas, os fundamentais apêndices aerodinâmicos e a transmissão integral, agora equipada com um diferencial central pilotado, são alguns dos elementos que contribuem para esta verdadeira mutação tecnológica.

Um objetivo: o Rali de Monte-Carlo 2017

No gabinete de estudos, a avaliação da nova regulamentação e de uma arquitetura com base no novo Citroën C3 teve início em abril de 2015. Este trabalho de desenvolvimento foi aprofundado com ainda maior rigor a partir da validação do programa ao mais alto nível do Grupo PSA. A 19 de novembro desse ano, quando foram anunciados os planos desportivos futuros da Citroën, o C3 WRC já existia, se bem que numa versão virtual nas estações de trabalho em CAC (Concepção Assistida por Computador). Logo, de imediato, teve início a construção do primeiro protótipo nas oficinas adjacentes.

A 11 de abril de 2016, Kris Meeke instalava-se ao seu volante para um primeiro contacto no circuito de Versailles-Satory. De seguida, a equipa rumou a Languedoc para efetuar a primeira sessão de testes nas pistas de terra de Château Lastours. O carro contava com uma decoração camuflada, destinada a esconder os traços do estilo do Novo Citroën C3, modelo que ainda não tinha sido desvendado.

Ao ritmo de uma sessão de testes de quatro a cinco dias por mês, o desenvolvimento prosseguiu em diversos tipos de piso, em busca da fiabilidade e da performance. No final de junho, foi alcançado um ponto essencial com a chegada de uma segunda unidade, destinada a rolar em asfalto.

Nos bastidores, o gabinete de estudos prosseguia na busca de novas evoluções, ao mesmo tempo que se realizavam diversos testes em túnel de vento, antes de se concluir, em definitivo, as formas da carroçaria.

Confirmado como piloto offcial da Citroën Racing até 2018, Kris Meeke efectuou a maior parte dos testes dinâmicos. Em cada sessão, o seu trabalho era corroborado por Craig Breen e Stéphane Lefebvre, que no último dia assumiam as funções do britânico.

No total, o Citroën C3 WRC acumulou 10 sessões de testes para um total de 9 500 quilómetros.

A última etapa, indispensável antes da estreia do carro em competição, foi a sua homologação pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), que teve lugar a 13 de dezembro último.

«Como é habiual no desporto automóvel, trabalhámos com prazos muito apertados tanto na concepção como no desenvolvimento do carro. Logo desde os primeiros testes tivémos a satisfação de constatar que era um carro bem nascido. Não houve problemas de maior e os pilotos mostraram-se encantados com o seu comportamento. Ao chegar a hora do veredito, que é a entrada em competição, vamos com o sentimento de que fizemos um bom trabalho, mas não é possível termos todas as certezas. Qualquer alteração aos regulamentos implica uma total redifinição dos planos, para além de que somos humildes face aos nossos concorrentes.»

Laurent Fregosi, Diretor Técnico

O melhor motor jamais concebido pela Citroën Racing

Desde 2010 que a Citroën Racing desenvolve e constrói os seus próprios motores, no âmbito da regulamentação FIA Global Racing Engine (GRE). A arquitetura baseada num bloco quatro cilindros de 1.6 litros, com turbo e injeção direta, permite aos construtores aplicar o seu savoir-faire em diversos campeonatos. Assim, a Citroën apoiou-se na sua experiênca no WRC para conceber o motor do Citroën C-Elysée WTCC. Desta feita são os ensinamentos recolhidos ao longo de três temporadas passadas nos circuitos a servirem de base na concepção do motor do Citroën C3 WRC.

Tal como os seus dois antecessores, o motor Citroën Racing é construído a partir de um bloco em alumínio. Esta verdadeira peça de ourivesaria tem de estar em conformidade com os exigentes regulamentos em termos de peso mínimo e da altura do centro de gravidade.

{ A maior performance aguardada para 2017 é explicada pelo fator principal: a alteração do restritor de admissão de ar do turbocompressor, que passa de 33 para 36 mm. O aumento de potência é de cerca de 20%, chegando agora aos 380 cv. Em contrapartida, a limitação da pressão do turbo nos 2,5 bar não permite aumentar o binário, que se mantém em cerca de 400 Nm.

Como o motor do WTCC já funcionava com um restritor de 36 mm, os engenheiros da Citroën Racing puderam, facilmente e com total confiança, proceder ao aumento do débito da carga interna. Este avanço tecnológico foi utilizado para um desenvolvimento ainda mais completo, até ao mais ínfimo pormenor. Em colaboração com os engenheiros químicos da Total, foi feito um trabalho profundo em termos da redução do atrito, o que permitiu melhorar o rendimento e a eficácia.

Mais do que nunca, a fiabilidade esteve no centro das atenções dos engenheiros. Com uma quota limitada a 3 motores por carro e por temporada, o caderno de encargos é comparável ao do próprio WTCC, onde a mecânica fará menos quilómetros, mas a uma velocidade média superior.

«Penso poder dizer que o Citroën C3 WRC conta com o melhor motor jamais concebido por nós. Durante o nosso envolvimento no WTCC estivémos algo desligados dos ralis, o que nos permitiu abordar este desafio com uma nova visão. O quadro dos regulamentos GRE é restritivo mas oferece liberdade suficiente para a criação de novas soluções. Fomos ousados e disrruptivos em diversos aspectos tecnológicos, os quais, por razões óbvias, não vou detalhar! Estamos orgulhosos do trabalho efectuado, nomeadamente no que se refere à redução da fricção. É ainda mais gratificante saber que esses avanços serão, um dia, utilizados na produção em série em todos os Citroën.»

Patrice Davesne, Responsável pelos Motores

Aumento da eficiência do chassis em todos os terrenos

A arquitetura do Citroën C3 WRC é semelhante à dos seus antecessores. A coque de série é cortada de forma a receber as asas traseiras em material compósito, o arco de segurança, o túnel da transmissão e as subestruturas que suportam os eixos rolantes.

O C3 WRC é o primeiro World Rally Car da Citroën feito com base numa carroçaria de cinco portas. As traseiras são abandonadas, mas esta configuração de base obrigou a importantes alterações em termos de implantação e ergonomia, de forma a optimizar a posição da equipa, tendo em conta os critérios de repartição de peso, de visibilidade e de segurança passiva.

Este último aspecto esteve no centro das atenções dos engenheiros da Citroën Racing e dos peritos da FIA. Não foi feita qualquer concessão em termos do que é fundamental para a protecção da equipa, principalmente em caso de colisão lateral. Deste modo, as portas apresentam-se agora reforçadas com um espaçador em material compósito, uma espécie de AirBump® mas com propriedades mais avançadas! O seu interior é guarnecido com uma espuma de elevada densidade destinada a absorver a energia, enquanto que as bacquets beneficiam de novas proteções ao nível da cabeça.

Mais em detalhe, verifica-se que os regulamentos de 2017 conferem limites mais amplos de criação aos engenheiros. O mais visível diz respeito ao aumento da largura máxima (+55 mm), que passa a ser de 1855 mm, de forma a proporcionar um comportamento mais estável e novas soluções aerodinâmicas.

Sendo uma parte essencial para a motricidade e para a percepção dos pilotos face ao comportamento do carro, a suspensão foi alvo de uma profunda revisão. Concebidos e construidos pela Citroën Racing, os conjuntos mola/amortecedor apresentam-se agora inclinados, de forma a aumentar o seu curso. Entre as inovações mais significativas introduzidas no C3 WRC, a geometria da suspensão passa a ser diferente entre as versões de asfalto e de terra.

{ A transmissão integral beneficia igualmente de modificações importantes, com o regresso do diferencial central controlado hidraulicamente. Este dispositivo – presente nos Xsara e C4 WRC – permite aos eixos dianteiro e traseiro rodar a velocidades diferentes. Assim, o controlo da pressão hidráulica através da embraiagem central possibilita a transferência de binário de um eixo para o outro, de modo a anular a subviragem e reduzir a eventual patinagem das rodas.

Um design musculado

Ao primeiro olhar, o Citroën C3 WRC impressiona de imediato pelo seu design musculado e pela sua morfologia original. Tal como o C3 de série, o C3 WRC exprime robustez, força, frescura e energia.

As modificações aerodinâmicas, autorizadas por um regulamento mais liberal, têm um papel ativo na performance do carro. O apoio gerado pelos apêndices permite aumentar a estabilidade a alta velocidade, enquantos as entradas de ar asseguram a refrigeração do motor e dos travões. Foram testadas múltiplas soluções antes de se chegar à versão definitiva da carroçaria. Para encontrar as diferencas, basta examinar com atenção as fotografias tiradas ao longo dos meses.

A secção dianteira elevada, característica do modelo, inspira robustez. Integra-se no prolongamento da linha de cintura, por formar a criar uma silhueta mais forte e equilibrada. A assinatura luminosa de dois níveis, os chevrons e a sua dupla barra cromada alongam-se aos faróis LED, expressando a identidade da Citroën. Sendo uma peça fundamental na performance aerodinâmica, o pára-choques dianteiro integra uma lâmina e aletas capazes de gerar apoio para redução da subviragem. A secção inferior é diferente nas versões de terra e de asfalto. As tomadas de ar canalizam ar fesco para o radiador, intercooler do turbo e travões. O ar quente é expulso pelas aberturas situadas no capô e na parte inferior dianteira, abaixo das aletas.

Visto de perfil, destaca-se o tejadilho flutuante em preto, apoiado nos montantes do para-brisas. O trabalho em torno das proporções entre as superfícies em metal e vidradas sublinha a dimensão protetora do Citroën C3 WRC. Na parte inferior, o modelo distingue-se por secções de grandes dimensões que canalizam os fluxos de ar laterais. As aberturas integradas nas estruturas laterais traseiras permitem arrefecer os travões e, tal como acontece na frente, a extração de ar efetua-se pelas aberturas inferiores.

Igualmente bastante trabalhado, o pára-choques traseiro favorece a eliminação da terra e da neve em pisos moles e/ou lamacentos. Essas formas revelam a procura aerodinâmica e alinham com a dinâmica 3D dos grupos óticos, conferindo ao Citroën C3 uma identidade única e tecnológica. Dissimulado pela saída de escape central, o difusor apresenta um extensor de apoio à exaustão dos fluxos de ar que passam por cima do veículo.

Por fim, o dispositivo aerodinâmico fica completo por um impressionante aileron, composto por uma plataforma inferior e por um complexo plano superior. Para um acréscimo de eficácia, o conjunto está agora mais recuado e é maior do que o permitido pela anterior regulamentação.

«A experiência adquirida com o Citroën C-Elysée WTCC permitiu que não partíssemos do zero. Mas isso não foi mais do que o ponto de partida para um trabalho interativo. Testámos soluções informáticas em ambiente CFD, depois em túnel de vento com uma maquete a 40%. Os resultados levaram-nos a conceber novas formas que testámos de modo contínuo. Em simultâneo, tivémos de testar essas mesmas peças montadas no veículo para garantir a sua resistência, mesmo nos pisos mais demolidores. É um trabalho infindável: houvesse mais tempo disponível e teríamos, certamente, progredido mais e chegado a performances superiores! »

Laurent Fregosi, Diretor Técnico

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